Quais são as línguas mais difíceis de aprender?

Quem estuda uma língua estrangeira e começa a sentir as dificuldades, logo pensa: “essa deve ser a língua mais difícil do mundo”. O fato é que existem muitas línguas no mundo. Estima-se que esse número esteja entre 7.000 e 8.000.

Achar que justamente aquela é a mais difícil é tão ingênuo como imaginar que Deus nasceu justamente no seu país. Aí você pensa: “tudo bem, então quais são as línguas mais difíceis de aprender?”. Bom, essa pergunta sempre gera polêmicas.

O infográfico da Column Five Media mostra quais seriam as línguas mais difíceis de aprender. As línguas são divididas em três níveis [fácil, médio e difícil] conforme o tempo necessário calculado em semanas e em horas de estudo. É interessante lembrar que esses níveis são organizados de acordo com o grau de semelhança de cada língua com o inglês.

O gráfico também lembra que cada um aprende de uma maneira diferente. Isso significa que o tempo de aprendizado pode variar bastante de acordo com sua carga de estudos semanal, o tipo e a qualidade do material que você tem disponível, sua motivação etc.

Curiosamente, esqueceram de incluir o alemão aí!

Classificação de línguas por dificuldade de aprendizado por um falante de inglês

A lista organizada pelo Effective Language Learning coloca o alemão um degrau abaixo das línguas românicas [português, espanhol. italiano, francês e romeno]. O cálculo feito por eles indica que um falante nativo de inglês leva 750 horas ou 30 semanas para aprender alemão.

Existem muitas outras listas circulando por aí na Internet, que podem incluir chinês, japonês, basco, árabe, húngaro, finlandês e islandês entre as línguas mais difíceis. Curiosamente, quase nenhuma delas inclui línguas africanas ou polinésias.

O fato é que é muito difícil fechar uma lista de “línguas mais difíceis” e todas elas invariavelmente tomam por referência uma língua determinada – que, não por acaso, costuma ser o inglês.

Outro ponto crítico nessas listas é que elas se baseiam em critérios muito variados. Na maioria das vezes, as discussões sobre “qual é a língua mais difícil” não tem nenhum fundamento mais consistente do que achismos.

Achei interessante a lista que o Benny Lewis do blog Fluent in Three Months fez com os argumentos mais comuns nesse tipo de discussão. Fiz uma tradução bem livre e acrescentei alguns comentários meus:

  • semelhança com sua língua materna [OK, esse é o único que me parece mais ou menos razoável]
  • Complexidade gramatical [Já comentei em algum lugar que “gramática” envolve muitos aspectos de natureza muito diferentes. Misturar tudo no mesmo saco de gatos ajuda a confundir ainda mais as coisas.]
  • línguas tonais [Pode até ser um pouco difícil, mas nada que não possa ser aprendido]
  • Sistemas de escrita diferentes [A estrutura de uma língua e seu sistema de escrita são coisas bem diferentes uma da outra.]
  • Um amigo meu me falou que essa língua é difícil [Questão de pura opinião pessoal]
  • Estou aprendendo essa língua e a minha tarefa é a mais difícil do mundo, mesmo que eu não tenha nenhuma base de comparação [Acontece muito. A pessoa tem um único ponto de referência e mede tudo por ele.]
  • Gastei seis anos estudando essa língua e ainda não consigo falar! Isso prova que é superdifícil! [Outro argumento baseado apenas na experiência pessoal. Talvez a pessoa não esteja estudando da maneira adequada. Talvez ela tenha tido uma experiência ruim. Talvez não esteja motivada. Nada disso significa que essa é a língua mais difícil.]
  • Essa é minha língua materna, minha auto-estima é baixa, preciso de validação e falar a “língua mais difícil do mundo” resolve tudo! [Um dos argumentos mais fraquinhos e – infelizmente – muito usados por brasileiros. O mito de que o português seria a “língua mais difícil do mundo” é muito difundido, mesmo entre professores e formandos em letras. Uma pena]

No final das contas, o problema não é tanto das línguas em si, mas sim da maneira como a gente lida com elas.

aprender alemão

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