adjetivos longos e curtos

Motivo #10: Comparativos irregulares do inglês

Nas suas aulinhas básicas de inglês, você deve ter aprendido que construir adjetivos comparativos é muito simples. Basta colocar um [-er] na frente e pronto! Mas quando o adjetivo é uma palavra “longa”, aí a regra é outra: é preciso usar more na frente do adjetivo.

Simples e óbvio, não?

Olhe mais de perto e você verá que não.

Olhe mais de perto
[Fonte: Foto de Laszlo Ilyes sob Licença CC BY-2.0]

Compare essa regra do inglês com a construção de comparativos em português. Você verá sem dificuldades que ela é diferente, não só pela estrutura morfológica – o português não tem um sufixo equivalente ao [-er] do inglês. Além disso, o inglês trabalha com duas regras, enquanto o português e também o alemão só têm uma.

Perceba que, nesse ponto específico, essas duas línguas são mais simples do que o inglês. Apesar disso, a sua fama de ser uma língua de gramática “simplificada” e “fácil” de aprender continua intocada. É curioso como aspectos nem tão sutis assim da gramática do inglês são ignorados, achatados e rotulados de “fáceis”.

Se você teve a sorte de estudar com um professor de inglês que se importa em conhecer a fundo a gramática do inglês  – algo infelizmente cada vez mais raro – , então você deve saber quando o adjetivo é considerado “longo” em inglês.

adjetivos longos e curtos
[Fonte: foto de Barbara Krawcowicz sob Licença CC BY-NC-ND 2.0]

Caso contrario, o teacher provavelmente te deixou confiando em algo abstrato como “feeling linguístico”. Afinal de contas, qual é o critério objetivo para distinguir adjetivos longos e curtos?

40 centímetros de adjetivo, por favor!

Segundo as definições do Practical English Usage da editora Oxford, os adjetivos curtos são monossilábicos (old, tall, late, etc.) e os adjetivos longos contém três ou mais sílabas (intelligent, beautiful, interesting, etc.). Até aqui, parece simples, não?

Os problemas começam quando olhamos para os casos menos primários. Quando o adjetivo tem duas sílabas, normalmente ele é considerado curto e segue a regra do sufixo [-er]:

  • happy-happier
  • quiet-quieter
  • clever-cleverer

Mas o caso é que uma porção de adjetivos dissílabos aceitam as duas regras, tanto com o sufixo quanto com o more. Não é difícil encontrar ocorrências tanto de politer quanto de more polite. Olha só essa tabela do English Hilfen, um site que ensina gramática do inglês para alemães :

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[Fonte: English Hilfen]

E então, as regras gramaticais do inglês ainda te parecem tão simples quanto dizem por ai? Se alguém tinha escondido isso de você até agora, desculpe-me por destruir essa ilusão. Mas esses casos são menos raros do que você imagina.

Quer ver outro exemplo ainda mais gritante? Então vejamos o caso interessante do adjetivo prone.

Tendendo a quebrar regras

Em princípio, prone (em inglês, “estar inclinado a fazer algo”) teria todas as condições para construir o comparativo com o sufixo [-er]. É um dissílabo e terminado com a vogal átona “e”.

Porém, o que acontece é justamente o contrário: a forma proner é considerada estranha e até impossível por falantes de inglês. A discussão sobre esse tema nos fóruns da Internet mostra que a regra está bem longe de ser clara nesse caso.

No fórum do Word Reference, um falante nativo (“Dimcl”) jura de pés juntos nunca ter ouvido a palavra proner em seus 52 anos de vida.

Outro participante, identificado como “Stefan Ivanovich”, decidiu não confiar apenas na própria memória e fez uma busca rápida no British National Corpus (Para quem não sabe, um corpus é um banco de dados de material linguístico usado para pesquisas). O resultado é claro: 72 ocorrências para more prone e nenhuma ocorrência para proner.

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[Fonte: Word Reference]

Outra situação em que a regra parece não se aplicar (apenas parece, veja bem!) são adjetivos com prefixos negativos, como unhappy. Nesse caso, o comparativo correto seria unhappier, ainda que a forma de base tenha três sílabas.

Aqui, a prefixação do adjetivo não conta na hora de processar a regra de formação de comparativos. Então, para esse efeito, un-happy contém duas sílabas. Olha só como isso acontece de fato nessa chamada do jornal britânico Mirror:

Crianças britânicas são mais infelizes
Crianças inglesas são mais infelizes do que crianças na Romênia, Argélia e Brasil
[Fonte: Mirror]

Enquanto isso, no alemão…

Agora vamos olhar para a gramática do alemão. A construção dos comparativos sempre seguem a mesma regra: acrescentar o sufixo [-er] à base do adjetivo. Sempre. Nenhuma regra de número de sílabas ou de acentuação tônica interfere aqui.
Se você quiser, faça o teste você mesmo. Vá até o site da Canoo, coloque os adjetivos abaixo no campo de busca:

  • schön
  • bequem
  • hässlich
  • gesund
  • intelligent
  • sympathisch

Depois clique no link chamado Wortformen. Se estiver com dificuldade de achar, procure essa caixinha aqui:

Como construir adjetivos comparativos em alemão
[Fonte: Canoo.net]

Perceba que selecionei adjetivos com número de sílabas variável, mas o resultado será sempre o mesmo:

  • schöner
  • bequemer
  • hässlicher
  • gesunder
  • intelligenter
  • sympathischer

Por fim, não podemos esquecer que em todas essas línguas há aquelas formas irregulares, ou seja, aquelas que não podem ser deduzidas do adjetivo de base.

Em inglês, temos good-better, little-less; em alemão temos gut-besser, gern-lieber. De todo modo, esses casos acontecem em qualquer língua e têm mais a ver com a transformação histórica do que com regras gramaticais.

Resumindo a história

A construção de adjetivos comparativos do inglês é mais complexa do que em alemão. Há alguns detalhes importantes que, infelizmente, são ignorados e criam a falsa sensação de que as coisas são mais simples em inglês. O inglês também tem suas regras complexas que são varridas para debaixo do tapete por algum motivo que, sinceramente, não consigo entender. Quando se ignora detalhes, qualquer língua fica fácil.

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