Motivo #07: Profecias auto-realizadoras

Você acha que alemão é difícil porque não consegue aprender? Ou você não consegue aprender alemão porque acha difícil?

Se você achasse inglês tão difícil quanto alemão, teria conseguido aprender mesmo assim?

A ‘dificuldade’ do alemão é apenas uma metade desse círculo vicioso. Quebrar a outra metade pode ajudar a desmanchar as travas emocionais que estão te impedindo de avançar em seu aprendizado.

Quem fala muitas línguas é inteligente emocionalmente estável

Tendemos a pensar que aprender uma língua é uma atividade puramente intelectual. Não por acaso associamos o conhecimento de línguas estrangeiras à inteligência – e sempre a um tipo específico de inteligência, vale lembrar.

Mas o que é bem menos lembrado é que há vários fatores emocionais que influenciam o aprendizado de uma língua estrangeira.

No caso do alemão, há um fator negativo extra a ser contado. É comum ouvir que o alemão é uma língua difícil, que tem palavras quilométricas e sons impronunciáveis. Todas essas lendas em torno do alemão já deixam o iniciante na defensiva e esperando pelo pior.

Complexidade
[Fonte: Apparent complexity de dmums sob Licença CC BY 2.0]
O resultado é claro.

É só encontrar pela primeira vez uma estrutura gramatical desconhecida, o aluno já começa a lamentar a própria desgraça: “Olha lá, então é verdade, o alemão é uma língua complicada mesmo como dizem por aí”. O mínimo sinal de dificuldade já serve de evidência suficiente para confirmar todas as lendas aterrorizantes que contaram sobre o alemão e suas complexidades.

E isso tudo acontece mesmo que a estrutura em si não seja lá tão complexa assim. Acreditem em mim: quando se trata de gramática, há coisas infinitamente mais enroscadas do que declinação de casos em alemão ou decorar os artigos ‘der’, ‘die’ e ‘das’.

A pergunta que eu sempre faço é: será que o alemão é mesmo uma língua tão difícil ou será que essas vozes de desencorajamento não estão tornando as coisas mais difíceis do que elas são?

Falta de motivação nos estudos
[Fonte: Complexity de Jaybird sob Licença CC BY-NC-SA 2.0]
Aliás, são essas mesmas vozes que continuam mandando outras micromensagens do tipo “não consigo emagrecer”, “amanhã eu começo esse projeto”, “não sou a melhor pessoa para conduzir um negócio próprio” entre outras crenças ilusórias que te impedem de atingir seus objetivos.

Yes, we … can?

É estranho imaginar que essas perguntas têm algo a ver com aprender alemão. No fundo, a ligação entre esses dois pontos não é tão improvável quanto parece.

Repare bem que esses questionamentos estão relacionados à ideia que temos de nós mesmos. Esse é um pilar importante das chamadas variáveis afetivas que entram em jogo quando você está aprendendo alemão. Dependendo da fonte, outras variáveis podem ser inclusas:

  • Imagem de si: qual é a imagem que você faz de você mesmo?
  • Inibição: o quão confortável você se sente em situações de exposição?
  • Tolerância a erros: até onde você se permite cometer erros e assumir riscos?
  • Permeabilidade de Ego: em que medida você consegue se colocar na posição de outras pessoas?
  • Tolerância à indeterminação: o quão bem você lida com cenários indeterminados, ou seja, sem regras pré-estipulados?

Esses fatores se manifestam de maneiras muito diferentes e afetam diretamente a maneira como você aprende alemão.

É difícil mapear em detalhes as interações entre todos esses aspectos. De todo modo, é possível ter uma noção superficial formulando algumas perguntas simples mais ou menos como essas:

  • Aprender línguas é mais fácil para crianças do que para adultos
  • Algumas línguas são mais difíceis de aprender do que outras
  • Algumas pessoas tem um dom especial para aprender línguas estrangeiras
  • Vocabulário é a parte mais importante de aprender uma língua
  • Gramática é a parte mais importante de aprende uma língua
  • Mulheres são mais comunicativas do que homens
  • Existe um jeito certo e um jeito errado de aprender uma língua
  • Aprender línguas estrangeiras é diferente de aprender outros temas
  • É importante repetir e praticar bastante
  • Eu me sinto confiante e eufórico quando falo outras línguas
  • Pessoas que falam bem mais de uma língua são muito inteligentes

É claro que essa lista está infinitamente longe de ser completa. São apenas alguns exemplos de como detectar as variáveis afetivas que afetam seu aprendizado. [Trocadilho proposital, Entschuldigung!]

Comece do jeito certo

Bom, mas então, como resolver isso?

Na verdade, é complicado dizer que isso é algo que se resolve. Apesar de prejudicar em muitos casos, as interferências afetivas nem sempre são uma desvantagem. Às vezes, é apenas um traço de personalidade particular da pessoa e mudar isso pode exigir muito mais energia do que apenas trocar o método de estudo.

Por exemplo, vencer o medo da exposição de falar diante de outras pessoas pode ser muito desafiador para pessoas tímidas – bem mais do que simplesmente ensaiar truques de linguagem corporal.

Aumentar a tolerância a erros também é algo difícil de conquistar, pois envolve uma transformação interna profunda no aluno e na imagem que ele tem de si próprio. Dar-se o direito ao erro é algo que vai muito além do aprendizado de línguas e se espraia em vários domínios da nossa vida.

Medo de exposição
[Fonte: I hear in my mind de Meg Wills sob Licença CC BY 2.0]
De todo modo, algumas providências podem ajudar. A principal delas é ignorar todas as mensagens negativas que você já ouviu sobre aprender alemão e simplesmente começar.

Tudo bem, pode ser um pouco complicado entender como funcionam as declinações ou como falar colocando os verbos no final. Mas ficar martelando isso na cabeça vai te ajudar em alguma coisa? Não.

Quando você fica repetindo para si que alemão é difícil, em algum momento você começa a se convencer disso.

Muita gente insiste em continuar dizendo que aprender línguas é tão difícil, que a vida é muito curta para aprender alemão entre outros alarmismos exagerados. Se você pretende de fato aprender alemão, não vai te ajudar muito ficar mentalizando que ele é difícil.

Expulse todos os fantasmas negativos que rondam a ideia de aprender alemão. Pare de fantasiar complexidades gramaticais que você ainda nem sabe bem como funcionam direito. Deixe de lado os mil pretextos de autopiedade que você inventa para não ter conseguido aprender [ainda] este ou aquele ponto específico.

Existem muitos primeiros passos a dar. Mas se eu fosse citar o mais importante, seria esse: pare de pensar que alemão é difícil.

Para concluir

Se aprender alemão fosse apenas uma questão de desempenho intelectual [seja lá o que isso signifique], tudo seria mais simples de resolver.

O que acontece é que temos o vício de acrescentar uma trava emocional completamente inútil quando acreditamos que alemão é uma língua difícil.

É interessante que essa trava não aparece com o inglês. Não por acaso mais pessoas conseguem aprender inglês e com mais facilidade. Será alguma coincidência? Ou será que essa barreira psicológica e emocional acaba se concretizando e levando a um círculo vicioso?

Pense nisso.

aprender alemão

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