como foi a euro-pós 2014

Euro-Pós 2014: confira o que rolou

O Euro-Pós 2014 aconteceu nos dias 29 e 30 de Novembro em São Paulo.

Você não foi?

Tudo bem, eu fui e vou contar para você.

Nesse ano, o evento foi realizado apenas em São Paulo e isso é meio injusto para quem não mora aqui. Mesmo quem não mora tão longe assim às vezes tem dificuldades de comparecer.

Se você teve essa chance e simplesmente ficou com preguicinha de pegar o metrô e descer na estação Consolação – bem, você perdeu uma bela chance de receber 16 toneladas de informações de mão beijada, além de poder conversar diretamente com diretores e coordenadores de programas de pós-graduação – e tudo graças ao teu innerer Schweinehund!

Mas por sorte você conhece esse blog legal e vai poder ouvir um pouquinho do que rolou de alguém que esteve presente no evento e trabalhou como auxiliar de estande de uma universidade alemã (um grupo de universidades, na verdade).

Tudo o que contarei está baseado exclusivamente no que vi e ouvi pessoalmente, OK?

Como não é nada oficial, então não espere detalhes milimétricos sobre tudo o que rolou. Não posso reproduzir detalhes das palestras que não pude ver ou informações pertinentes a outras instituições (como Ciências sem Fronteiras e DAAD).

Estudar na TU 9

Conforme comentei ali em cima, participei do evento como auxiliar de estande da TU 9 (technischen Universitäten 9). A bem da verdade, a TU 9 não é bem uma universidade, mas sim um grupo que agrega as nove universidades mais conceituadas na área de tecnologia e engenharia da Alemanha.

[Legal, né? Tem um post inteirinho só sobre isso, confere lá!]

Na prática, eu fiquei responsável por repassar as informações mais genéricas sobre como fazer um mestrado na área técnica na Alemanha. As informações mais específicas (principalmente sobre doutorado) ficavam a cargo do Sören, da Pia e do Francisco e do…. do… ehrm…bem, enfim.

TU 9 Europós
[Da direita para esquerda]: Sören, Estevão, Francisco, eu-mesmo, Pia e ¿ ?

Um puxão de orelha

Como um mero auxiliar de estande, minha função era passar informações mais gerais sobre o processo seletivo, como financiar os estudos, quais áreas estão contempladas pela TU 9, etc.

Mais ou menos 92,375% das perguntas do público giravam em torno de questões genéricas demais. Sim, isso é um puxão de orelha.

Em princípio, todas essas informações estão disponíveis em um lugar aberto e de fácil acesso hoje em dia chamado internet.

Se as pessoas tivessem se preparado minimamente para ir ao evento, se tivessem sentado no Google antes e tentado fazer uma busca simples – sei lá, digitando apenas “o que precisa para estudar na Europa” – já encontrariam prontas a maioria das respostas sobre custos, por exemplo.

Uma colher de chá

De todo modo, uma das vantagens de comparecer a um evento desses é justamente abreviar as longas horas-bunda de pesquisa na internet necessárias para descobrir alguma informação exata. Entendo perfeitamente que muitos visitantes estavam apenas flanando pela feira e paravam para fazer perguntas casuais e despretensiosas.

Se você ia fazer alguma das perguntas abaixo, hoje é seu dia de sorte: resolvi compartilhar as respostas, sempre de acordo com as instruções que os representantes da TU 9 me passaram.

Quanto custa o mestrado na alemanha?

Ao contrário dos cursos de graduação, os programas de pós cobram uma taxa semestral (Studiengebühren) no valor de 250 Euros em média.

A vantagem é que essa taxa também inclui o Semesterticket, que te permite usar todo o transporte público (ônibus, metrô, S-Bahn, trêm) da cidade durante o semestre vigente, além do acesso a outras instalações universitárias (Mensa, laboratórios de informática, etc.)

Como receber financiamento para estudos?

Em geral, o processo de admissão acadêmica e a aprovação do financiamento (bolsa de pesquisa) são feitos separadamente e por instituições diferentes. A única coisa que a universidade pode fazer é conceder uma isenção da taxa semestral.

Para conseguir uma bolsa, é melhor procurar outras fontes como o Ciências sem Fronteiras, DAAD, Capes, CNPq ou os próprios institutos alemães (os chamados Stiftungen)

Sou formado em uma área mas quero fazer mestrado em outra. é possível?

Ao contrário do que acontece no Brasil, na Alemanha é quase impossível fazer mestrado em uma área diferente do seu bacharelado.

É claro que, em alguns casos, a compatibilidade não impõe problemas – quando o candidato transita entre campos de especialização dentro da mesma disciplina.

A mudança fica complicada quando o candidato estudou engenharia e quer estudar administração.

Precisa dominar o idioma?

No caso da TU 9, existe uma boa oferta de cursos de mestrado ministrados totalmente em inglês. Para ser elegível, o candidato precisa comprovar proficiência no inglês com um IELTS 6,5, TOEFL 550 (versão escrita) ou 80 (versão digital).

É claro que existem também os mestrados em alemão – e aí a oferta é muito maior. Para quem quer se aventurar, o nível de alemão exigido é o C1 do Quadro de Referência Comum Europeu (TestDaF ou DSH)

[Fonte: arquivo pessoal]
[Fonte: arquivo pessoal]

O que preciso para concorrer a uma vaga?

No caso do mestrado, exige-se que o candidato tenha cumprido um curso superior no país de origem, comprove proficiência em língua estrangeira (inglês, ocasionalmente alemão) e submeta a candidatura com um plano de estudos.

Atenção: diploma de tecnólogo não é aceito como bacharelado pelo sistema unviersitário alemão.

Quais são os cursos de MBA na alemanha?

Outro ponto curioso foi o alto número de pessoas procurando informações sobre um MBA na Alemanha. Na verdade, o MBA é um título do sistema acadêmico norte-americano. Os programas de pós graduação oferecidos na Alemanha – ou pelo menos nas unis da TU 9 – são nomeados master of sciences.

O que aconteceu é que bastante gente acabava se intimidando com o título. Tive a impressão de que muitos associam o master ao peso acadêmico que um mestrado (pós lato-sensu) tem aqui no Brasil. Quem procura mais um aperfeiçoamento profissional, fica com a especialização/MBA grudado na mente.

Existem de fato alguns programas de pós em business nas unis da TU 9 que são mais ou menos compatíveis com esse perfil. Porém, eles são minoria e costumam cobrar uma taxa (tuition fee) alta – diferente dos demais cursos de master of sciences.

Dica: a Alemanha não é o lugar mais indicado para estudar negócios. Prefira ir para os Estados Unidos ou Inglaterra. Mas se você fizer muita questão de comer Currywurst mit Pommes e beber Erdinger, então procure a Frankfurt Business School ou a Hector School, que é associada ao Karlsruhe Institut für Technologie.

Dá para trabalhar?

Sim.

O visto de estudante na Alemanha permite conciliar os estudos com um emprego de até 20 horas semanais.

O ponto é que se você pretende realmente fazer uma pós na Alemanha, é melhor esquecer o ritmo frenético do trabalho em período integral emendado com aulas noturnas – que é o que acaba acontecendo com boa parte das pessoas que fazem MBA aqui no Brasil.

Você vai ter que se engajar de fato e cumprir com um volume considerável de atividades extra-classe. É claro que a carga horária semanal de aulas não é tão pesada quanto de uma graduação e sempre sobra um tempinho para passear, fazer viagens de fim de semana e coisas assim.

De todo modo, não é um plano de estudos que se possa cumprir com uma rotina de trabalho intensa.

É difícil conseguir uma vaga?

Sempre que alguém perguntava isso, dei uma resposta meio subjetiva.

Minha recomendação a essas pessoas era: suas chances de conquistar a vaga são diretamente proporcionais ao seu poder de convencimento.

Se você tem referências de professores da tua faculdade, desenvolveu projetos legais, consegue comprovar a participação ativa neles, tem experiência e repertório na área de especialização, então as chances aumentam bastante.

Outro ponto que ajuda bastante é ser convincente ao se apresentar na candidatura (Bewerbung). Por que você quer essa vaga? Por que você escolheu a Alemanha? Por que você quer essa universidade (e não outra qualquer)? O que você vai criar de produtivo com essa chance que estão prestes a lhe conceder?

Acorda aí, Estevão, tem mais!
Acorda aí, Estevão! Ainda tem mais!

Quem procura, acha

É claro que sempre pintavam outras questões menos convencionais. Casos extremamente específicos merecem uma atenção especial e não têm uma resposta fixa.

É para isso que os representantes das próprias Unis alemãs atravessaram o oceano para participar do evento. Em geral, são pontos que só podem ser resolvidos concretamente por algum insider dos departamentos de pesquisa.

Quem apareceu despreparado no evento, desperdiçou uma enorme oportunidade de falar com os próprios responsáveis pelos intercâmbios acadêmicos. Para quem não teve condições de comparecer, a recomendação é escavar profundamente os sites das universidades e do departamento da tua área de interesse.

Anote o nome dos professores, dos adjuntos, dos secretários, tudo. Em geral, as universidades alemães dispõem de um Sprechpartner, responsável por mediar toda a comunicação entre a instituição e o público.

Entre em contato, faça listas, registre tudo o que você encontrar. Assuma as rédeas da tua empreitada.

Diferenças culturais entre áreas

Na Alemanha, a divisão institucional de áreas é muito mais forte do que no Brasil. Cursos na área das engenharias, automação, ciências da computação, energia, geologia, estudos sobre ambiente, construção civil, planejamento urbano, biomoleculares e afins geralmente são encontrados nas technischen Universitäten.

Algo que me chamou a atenção é que muita gente associava a palavra technisch do titulo da instituição aos cursos tecnológos de curta duração que temos no Brasil.

Outro ponto curioso foi a diferença entre os cursos no Brasil e na Alemanha. Uma boa parte dos cursos oferecidas não tem um correspondente exato no Brasil – e vice-versa. Nesses casos, o mais indicado é ler as descrições detalhadas do curso na página da universidade e ver se ela é compatível com o que você procura. Não se deixe levar pela mera coincidência de nomenclaturas nos títulos dos cursos!

Para terminar

Participar de um evento desses é enriquecedor pela quantidade de informações concentradas, sabe? Para mim, foi um pouco difícil ter de lidar com tantos detalhes em um intervalo de tempo mais ou menos curto.

Pelo menos no que pude vivenciar, os alemães foram bem receptivos e ficaram surpresos com a boa imagem que a Alemanha tem junto aos brasileiros, diferente do que acontece com outros estrangeiros.

Se você chegou até aqui, então imagino que você deva estar curioso sobre como estudar em alguma universidade da TU 9.

Quer saber como escolher uma universidade para fazer tua pós em engenharia, tecnologia ou ciências naturais?

Então clica na bolinha da TU Dresden (que ganhei de presente do Francisco!) aí embaixo:

Onde estudar engenharia na Alemanha
[Foto: arquivo pessoal]

0 comentários a “Euro-Pós 2014: confira o que rolou”

  1. Eu visitei um stand que promovia cursos de alemão na Alemanha, um concorrente da did.de. Estavam sem folhetos ou cartões e me prometeram que iam enviar email. Confiei e não anotei. Vc saberia me dizer quem eram e como peço mais informações?

  2. “Em princípio, todas essas informações estão disponíveis em um lugar aberto e de fácil acesso hoje em dia chamado internet.”, cara, tu é genial <3

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